Cris, André, Thays, Kelen, Aline, Adriano, Tina e todos os que passaram por aqui, sempre deixando mensagens carinhosas e estimulantes. Surge agora um novo espaço, pulsando, trazendo coisas novas e melhores. Espero contar com todos vocês no meu novo lar: afinal, as mudanças são bem-vindas - sempre - e as pessoas que nos apóiam e nos incentivam a sermos melhores, também. Adorarei recebê-los.
Desconcertado, querendo provar da vida intensamente,
Felipe.
Ilustração: The girl loves the sea
Ouço uma história:
A senhorita Bar decidiu que não iria passar o dia dos namorados - mais um - sozinha. Por isso, maquiou-se, vestiu a melhor roupa que encontrou no closet e usou as jóias mais delicadamente sofisticadas de sua coleção. Vestida para matar, matou-se, num banho de mar sinistro e triste, muito triste. Uma história triste de loucura e solidão.
Os narcisistas são idiotas que adoram ser idiotas.
Já que as autoridades não fazem a sua parte:

Dia Mundial do Meio Ambiente e repito o que disse à Ana Maria Bahiana em seu blog:
Tomara que nosso mundo ainda possa nos aguentar por mais alguns anos. Tenho muitos planos que dependem do tempo para se concretizarem. Às vezes, ao vermos absurdos do tamanho da cidade do Rio de Janeiro, tenho medo de que não dê tempo.
Faço um convite à reflexão sobre nosso desperdício, nosso egoísmo e me pergunto: Gostaríamos de chegar até onde esse descaso com o nosso planeta irá nos levar?
Um filme: Totalmente Apaixonados (Trust the man, no original). O título em português engana e o filme vai muito além do que se supõe pela capa do DVD.
Uma música: "Enquanto isso, as coisas tem sido difíceis: morando no segundo andar, vivendo sem um jardim. E pode levar anos atér o dia em que meus sonhos coincidam com o meu salário".
Mushaboom, de Feist.
Um lugar para passar horas: A cama.
Um endereço na web: www.revistacinetica.com.br
"O caminho mais fácil nem sempre é melhor que o da dor."
Trecho de Lama, da banda paulista Luxúria. Clique aqui para ver o videoclipe bacana da música.

No dia 18 de maio de 2008, vários blogs na internet fizeram uma espécie de post coletivo numa ação criativa contra a violência sexual contra crianças e adolecentes. Por lapso, eu, que tomei conhecimento do convite para o post coletivo antecipadamente, não participei. Chateado e com esperança de que um dia essas palavras possam servir de conforto ou alerta para alguém, faço agora a minha parte; o mínimo que posso fazer para sentir que não cruzei os braços.
Quando eu tinha por volta de sete anos de idade, num desses mistérios que Deus guarda, para quem sabe, nunca revelar, Ele permitiu que eu vivesse essa experiência. Não lembro de detalhes, nem me esforço. O que sei é que durante anos (e possivelmente ainda hoje), o abuso, a falta de um pai e de uma família estruturada, deixaram-me alguns traumas. Não sei por quanto tempo durarão. Não sei exatamente quais foram os prejuízos, mas passei da fase de culpar a Deus. Não sinto remorso, mágoa, raiva ou qualquer outro sentimento parecido, só a sensação de que se não tivesse passado por uma experiência como essa, as coisas seriam diferentes, talvez melhores. De toda forma, encaro como se minha história não fosse minha sem esse episódio.
Passar por algo assim, de alguma forma, me ajuda a ser o homem que sou hoje. E confesso que, por vezes, num desses dias frios em que a vida parece ser diferente dos outros dias, sinto-me orgulhoso, muito orgulhoso de mim, do que conquistei e ninguém pode levar. Feliz por saber que todos os dias tenho a oportunidade de recomeçar e a liberdade de tropeçar novamente, se indispensável. Minha tia esteve em casa há alguns dias e, numa conversa de poucas palavras, ela disse-me que uma outra tia preocupava-se muito comigo, queria saber como estava, etc. "Diz pra ela que estou bem. Que todos os dias descubro uma coisa nova e que não há por que se preocupar. Eu vou sempre ficar bem", respondi, tranquilo.
E de verdade, não acredito que vá ser diferente.
Se você quer saber mais sobre violência sexual contra crianças e adolescentes, existem diversos endereços na internet que tratam do assunto. Um deles é o site Brasil contra a Pedofilia. Acesse.
Quando Eduardo me abordou, já passavam das onze da noite. Ele me olhou e veio se aproximando. Tirei os fones de ouvido para poder escutá-lo e ele me disse, sem rodeios: Era soropositivo e álcoolatra, tinha vindo de São Paulo e não tinha como voltar. Morava na rua, já havia passado por abrigos e precisava de dinheiro ("Qualquer coisa ajuda").
Tirei do bolso a única coisa que eu podia dar a ele naquele momento: Uma nota de dois reais, que se ele quisesse poderia usar para comprar o pão ou a cachaça do dia seguinte. "Mais de um ano e meio sem beber e foi só botar um gole de cerveja na boca, que não consegui mais parar", me contou. "Você vai conseguir", eu disse. "Falta só atitude da minha parte", ele completou. Perguntei se sua família era de São Paulo e ele afirmou que toda a família estava lá.
Tirou do bolso uma espécie de laudo, com assinatura e carimbo do GDF, que dizia, entre outras coisas, que durante todo o tempo em que Eduardo esteve em observação, ele permaneceu alcoolizado, morava mesmo nas ruas da capital do país (a Capital da Esperança, ouvi depois um político dizer, no rádio) e que o órgão do governo responsável, não tinha verba para mandá-lo de volta a São Paulo. Ele aproveitou a deixa e discorreu sobre o descaso do governo com pessoas que, como ele, não encontram a sorte que vieram buscar. Nesta hora apareceu uma senhora baixinha, simpática, vendendo jujubas a 0,25 centavos. "Vou dar 0,50 centavos pra esta velhinha que é pra Deus me dar de volta. Eu acredito em Deus", ele disse, tirando do bolso umas poucas moedas. "Boa sorte", foi a última coisa que eu lhe disse. Antes de ir, Eduardo falou mais alguma coisa, que não entendi, por fim. E eu, tão descrente de Deus naquela noite, fiz, antes de dormir, uma oração pelo Eduardo.
Uma nota de dois reais, um desejo de boa sorte, uma oração e este texto, Eduardo. É tudo o que posso te dar, me desculpe.
Ilustração: Lonely
Eduardo quer conversar apenas com as meninas da sala. Mara, 42 anos de idade, quer falar com mulheres. Murilo, 23, quer falar com os caras ativos da sala. Homem maduro quer encontro com passivos bem "putinhas", Casado, 31, 20 centímetros, prefere os passivos discretos. Raul é casado e adora uma "sacanagem legal". Surgem vários querendo "uma real, pra agora, sem enrolação!", pedem. Drica, travesti (tão na moda), quer conversar com "pessoas que saibam curtir a vida, dançar, aproveitar". Um poço de simpatia, a Drica.
Personagens como esses são, na verdade, pessoas reais que embarcam com nomes falsos e outras mentiras, frequentemente, num dos chats de voz mais populares da cidade.
Muito educadamente, converso com vários deles: "Mas e aí, resolveu ligar por quê?", pergunto. "Ah, sei lá, nada pra fazer, ninguém pra curtir, paradeira", reclamam a maioria. Um cara me conta que a esposa não aceita a maioria das sugestões que faz na cama: "Acho que ela já perdeu o tesão, mas não por minha causa", diz. "Mas e você? Procurando o quê?" ele pergunta. "Nada", desconverso, "Nada pra fazer, sabe né?". O tal cara faz uma cantadinha barata e vejo que chegou a hora de pular fora: "Ih, foi mal, tá chegando gente aqui, tenho de desligar". Não desligo. Saio da conexão com o taradinho e tento arrancar mais declarações dos outros participantes. Mais cantadas. Faço sucesso com a idade e com a voz, tanto com os homens quanto com as mulheres da sala (as mulheres são bem mais sutis e interessantes). Digo que não estou a fim de sexo naquela noite, só de conversa. "Liga pro CVV, então", diz um. "Não é possível que só tenha gente querendo trepar, aqui", desabafo com uns. "É sim", me respondem. Acho um minguados, que topam conversar e descubro que ali, eles querem é encontrar o verdadeiro amor. "Acho difícil", falo pra uma senhora que pede meu telefone, sem revelar que entrei lá com a mesma esperança. Invento um número qualquer e digo até mais.
Desligo e fico me achando um idiota por um bom tempo. Olho pela janela e vejo um mundo lá fora, mas com oportunidades escassas por enquanto. "Vou tomar banho", resolvo enfim. E no banho penso em como nós somos sós. "Um por todos pode até existir, mas todos por um parece-me um ideal utópico demais", concluo. Reflexões rabugentas do alto de meus 19 anos.
Foto: www.scc.rutgers.edu/.../
Brasília, sexta-feira, 18 de abril de 2008. Véspera de feriado e às 19h30min encaro uma prova de Sociologia, quando deparo-me com uma questão e a seguinte proposta:
Apresente o conceito de imaginação sociológica, em seguida explique por quê o estudo do suicídio desenvolvido por Émile Durkheim se enquadraria nesse conceito.
Desespero-me (penso em suicídio), e, sem mais ter o que fazer, cretinamente escrevo:
"Sabe, nunca ouvi falar em Émile Durkheim. Imagino que ele já tenha morrido, mas enquanto vivo, contribuído muito para o estudo da Sociologia.
Caro professor, não me leve a mal, mas percebo agora que as aulas em que dormi realmente fizeram-me falta. Bom, tarde. O fato é que sairei daqui e irei direto ao Google, procurar conhecer o trabalho de Émile e, quem sabe aí, compreender o conceito de 'imaginação sociológica' e como o estudo de Durkheim se enquadraria em tal conceito.
Ah, importante: Realmente acredito que o processo de socialização ao qual estamos submetidos não acaba nunca, sendo assim, enquanto viver, aprenderei (espero). A propósito, tive uma infância feliz, apesar de tudo e travo uma luta feroz, todos os dias, em busca da honestidade em que tanto acredito (e em seu poder). Desta forma, peço novamente que não me leve a mal, não estou lhe implorando por nenhum pontinho a mais, além do que eu mereço (e jamais duvidaria de sua postura ética). Acho que foi só um brainstorming.
Passar bem."
Resultado: 1,6 numa prova que valia 5 pontos. 6,6 na média final. Alguém daria crédito a um jornalista tão cara-de-pau?
Ilustração: Despair
Só havia o desespero:
-- Alô?
-- Não desliga.
-- O que você quer?
-- Uma chance.
-- Mais uma?
-- Por que nós não conseguimos conversar?
-- Porque já dissemos tudo o que precisávamos.
-- Não é verdade.
-- Claro. Há coisas que não podem ser ditas, não é?
-- Você está sendo imatura.
-- E você, covarde.
-- Você não quer me deixar.
-- Já deixei.
-- Mas você não quer.
-- Que diferença faz?
-- Você é teimosa, caramba!
-- Eu? Quem é o rei da resistência? Quanto tempo eu tive de esperar até que você decidisse parar de lutar contra o que sentia? Fui eu quem chorei por anos, quem quis cometer suicídio, quem saiu por aí transando com qualquer um que cruzasse meu caminho, em busca do que você não podia, não queria me dar.
-- Ah, por favor, não começa!
-- Foi você quem começou.
--Não dá pra conversar com você.
-- Você não devia ter ligado.
-- Não devia mesmo.
-- Definitivamente, não.
-- É que eu te amo.
-- De que adianta?
-- Não basta?
-- Não, só amor não basta.
-- O que você quer mais de mim? Pelo amor de Deus, me diz, o quê? Eu deixei de lado meu orgulho por você! Eu fiz escolhas perigosas por você. Não basta? Eu sou um homem inseguro agora, dependente de alguém que me perseguiu, que me desestabilizou, que virou o meu chão!
-- Por que você está gritando?
-- Porque eu não me conformo em amar alguém que se esforça tanto pra ser infeliz, que se vitimiza a todo instante, que precisa culpar todo mundo à sua volta pelas suas neuroses tão inconvenientes e batidas! Você me faz mal!
-- É por isso que estou deixando você.
-- Porque eu te digo a verdade?
-- Porque eu te faço mal.
-- E daí?
-- Eu não suporto machucar mais alguém.
-- O estrago já está feito, continua!
-- Não pode ser assim.
-- Você me ama?
-- Sim.
-- Ainda é apaixonada por mim?
-- Sim.
-- Você sente tesão por mim?
-- Sim, sim! Quantas vezes você quer ouvir sim?
-- E quando você ama, você deixa?
-- Sim.
-- Deixa?
-- Se você ama de verdade, você deixa.
-- Não deixa, não. Eu vou ficar pior sem você.
-- Você vai superar.
-- Como você sabe? Eu posso não resistir e me atirar na frente de um ônibus. Ou ir para o centro e pular de um prédio. Parar de comer. Fica. Eu vou ficar pior sem você, fica.
-- Eu te canso.
-- Fica.
-- Eu te exponho.
-- Fica.
-- Eu confundo você.
-- Por favor, fica.
-- Eu não te compreendo, não te divirto.
-- Fica.
-- Eu não consigo fazer você feliz.
-- Eu não me importo, eu não preciso. Minha história não existe sem você. Fica.
Ele tocava o corpo dela (com a verdade que uma paixão que não cabia em seu peito exigia). E tomava-a, sentia-a (com a vontade de quem demorou a ter o que queria). Com a ânsia e a tensão de enfrentar o medo.
Era tanto sentimento que eles não sabiam se sobreviveriam os mesmos depois de tão bem se conhecerem. E fizeram-no de tal forma, que não existia pecado, mas somente amor: incontrolável, intenso, cru, sem artifício algum, mas tão e somente amor. Como se não houvesse fim ou recomeço, completos de tal maneira que a morte poderia, se chegada a hora, levá-los da maneira que fosse (visto que a eternidade se apossara dos dois e nem compreensão e nem sentidos ou lágrimas ou qualquer outra coisa existiriam).
Somente a vida, em início, meio ou fim como deveria ser em todo o tempo: intensa, a qualquer preço.
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A vida de Aline Fassa em onze palavras:
Inocência. Bebida, sexo, música, dança. Rebeldia, inconsequência. Loucura, sofrimento. Restituição. Dificuldade.
Aline Fassa é uma mulher como nenhuma outra. Vulcânica, intensa, está acima do peso, mas feliz, casada com o homem que marca a restituição em sua vida e em plena atividade (num trabalho que às vezes cansa sua beleza).
Ele tocava o corpo dela (com a verdade que uma paixão que não cabia em seu peito exigia). E tomava-a, sentia-a (com a vontade de quem demorou a ter o que queria). Com a ânsia e a tensão de enfrentar o medo.
Era tanto sentimento que eles não sabiam se sobreviveriam os mesmos depois de tão bem se conhecerem. E fizeram-no de tal forma, que não existia pecado, mas somente amor: incontrolável, intenso, cru, sem artifício algum, mas tão e somente amor. Como se não houvesse fim ou recomeço, completos de tal maneira que a morte poderia, se chegada a hora, levá-los da maneira que fosse (visto que a eternidade se apossara dos dois e nem compreensão e nem sentidos ou lágrimas ou qualquer outa coisa existiriam).
Somente a vida, em início, meio ou fim como deveria ser em todo o tempo: intensa, a qualquer preço.
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Fotos: fotosearch.com
A vida de Kelen Cristine em onze palavras:
Mágoa, tristeza, revolta. Aventura, sinceridade, amor. Tragédia, dor. Deus. Conquista. Felicidade.
Kelen Cristine é uma Barbie hiperativa, bem-humorada e amarrada há cinco anos no negão que ela adora.
Pequenos retratos do cotidiano
-- Você sabia que a água do planeta vai acabar porque as reservas de água não são suficientes para suprir a necessidade de desperdício do ser humano? - Digo para uma colega que lamenta-se por nada ser como gostaria. E continuo: -- A ONU teme que a dedicação à produção de biocombustíveis atrapalhe o cultivo de vegetais e contribua para uma crise na produção de alimentos. E minha sobrinha de um ano e meio aprendeu a jogar lixo no chão! Você tem mesmo de se preocupar com a sujeira da tampa do saleiro?
E então ela me responde, simples:
-- Felipe, pára de querer aparecer!
É, parei.
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Fotos: fotosearch.com
Uma vida em onze palavras:
Precocidade. Independência. Traumas. Leviandade, arrependimentos. Mudanças. Paixão. Verdade. Amadurecimento. Honestidade e busca.
Felipe Lima é o caos em forma humana, não há dúvida.
-- Se você quiser eu lhe dou abrigo.
E então ela diz, sem noção da sua grandeza, deixando-o amedrontado:
-- Por que você não chega mais perto? Dentro.
Pequenos retratos do cotidiano
E então eu pergunto: -- Mas por que ele te faz feliz?
E ela me responde com um sorriso que toma todo o rosto: -- Porque ele me faz sorrir, cuida de mim, pergunta como foi o meu dia.
-- Há quanto tempo vocês estão juntos?
-- Cinco anos.
-- Nossa! - exclamo -- E por que não se casam?
-- Por que a gente não tem dinheiro...
-- Vivam de amor! - Digo.
-- Não é assim, Felipe!!! Sabe, eu conheço gente que namora há anos, casa, tem filho e se separa.
-- É verdade. Então não casem.
Original: Todos os blogs da home da Revista Trip. Gente afinada, cosmopolita, diferente, trazendo sempre algo interessante para o cotidiano de nossas vidas.
Lemos e não entendemos
por Nina Lemos
Blog da Redação
Nossa equipe solta o verbo e umas informações sigilosas
Discofonia
por Guilherme Weneck
Vacas adoram sal.
A idéia é simples e despretensiosa: Registrar uma homenagem à cidade, que completa 48 anos em 21 de abril (uma jovem senhora), por meio de fotografias tiradas com a câmera em movimento (a maior parte delas foi tirada assim, andando - a pé ou de ônibus). O resultado são 16 fotos amadoras, mas carinhosas com essa cidade de arquitetura tão pouco aconchegante, mas que recebe a todo momento, centenas de brasileiros prontos para continuarem andando, mudando e crescendo.
Fotos: Felipe Lima

O calçadão do Setor de Diversões Norte, sob um par de All Star verde;


E os passos apressados de todos os dias;

As luzes apoteóticas do Conjunto Nacional

(Em duas versões);

A Rodoviária do Plano Piloto



(Por vários ângulos);

À noite, um espetáculo de luzes por toda a cidade (na foto, imperceptível, o Eixo Sul);

A Avenida W3 Sul (projetada para ser a Champs-Élysées de Brasília), de dia;


E à noite;

Por fim, a cidade de barro (na periferia);

Uma árvore! (Ainda existem árvores em Brasília);

E a sombra do cara que sai por aí, com celular na mão, retradando essa cidade maluca.
Somos melhores do que pensamos.

"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: Nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra."
Mário Quintana, mais uma vez.
Quintana, por que o tempo nunca encontra a Madonna?
E por esta:
Adele: Dá pra acreditar que ela não tem nem 20 aninhos?
Estou apaixonado por esta mulher:
Feist: "Um, dois, três, quatro, diga que me ama mais."

FELICIDADE REALISTA
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o
que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são
ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos,
além de saúde, ser magérrimos, sarados,
irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a
comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e
uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos
alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza
e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar
pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados,
queremos ser surpreendidos por declarações e
presentes inesperados, queremos jantar à luz de
velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem
e diário, queremos ser felizes assim e não de outro
jeito. É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de
uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo
de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz
com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro,
feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo,
principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar
segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça,
como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de
criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e
aceitar o improvável.
PS: Ah, Quintana... como discordar? As fotos, deste post e do anterior, são da home http://assisbrasil.org/joao/quintana.htm

"A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda."
Mário Quintana (1906-1994), preguiçoso e sábio como sempre.
Despedida
Rubem Braga

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.
Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?
Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.
Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.
A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.
Rubem Braga (1913-1990), pela Wikipedia: "Rubem Braga dava à crônica brasileira uma nova dimensão que somente os grandes escritores sabem dar: a universalidade". Ninguém discorda.
Dele, já botando o capacete, pra ela, em pé, ao seu lado:
-- Toma cuidado, viu?
-- Cuidado com o quê?
-- Com tudo.
Ops, isso aqui é bem parecido com isso aqui.
Para o fim de semana (para a vida inteira):
Felipe Lima ressalta que Baz Luhrmann, além desse vídeo bacana, foi diretor de Romeo+Juliet e Moulin Rouge - Amor em vermelho, dois filmes "vibrantes". O texto, da jornalista Mary Schimich, pode ser levado pra casa por meio de:

livro de bolso;

e/ou CD, produzido por Pedro Bial. Façam bom proveito.
Um insensível retrato da despedida
-- É só isso.
-- Como assim, só isso?
-- Não tem mais jeito, acabou.
-- Acabou? É só o que você tem a dizer?
-- Hum... boa sorte?
-- Não dá pra acreditar!
-- Não tenho o que dizer! São só palavras. E o que eu sinto não mudará.
-- Por que? Me responde: Por que?
-- Porque tudo o que quer me dar é demais. É pesado, não há paz. Tudo o quer de mim? irreais expectativas. Desleais, até.
Ele, transtornado, chorava copiosamente. O rosto, vermelho e quente como pimenta.
-- Mesmo, cara. Se segure. Quero que se cure. Ó, Dessa pessoa que o aconselha.
-- O que foi que eu fiz? A culpa é minha?
-- Há um desencontro. Veja por esse ponto: Há tantas pessoas especiais!
-- Eu vou sentir tanto a sua falta.
-- Um bom encontro é de dois: Você vai achar seu par. Fui!
Com a preciosa "colaboração" de Vanessa da Mata, intérprete e autora da letra de Boa Sorte/Good Luck, canção de Sim (SonyBMG, 2007).

O Processo de socialização das crianças do nosso século (ou seja lá o que você entenda deste texto)
A socialização de um indivíduo não é e nunca foi cabível a essa ou aquela nacionalidade, apenas. Os elementos que afetam os padrões de socialização de uma criança também não. Toda criança, em qualquer parte, passa por um processo inevitável de socialização, isso é sabido. Exatamente da mesma maneira que os norte-americanos têm sido afetados por estes elementos, o Brasil e qualquer outro lugar do mundo também têm. Os agentes socializadores que há décadas atrás eram afetados pelo início da globalização (que sim, mudou tudo desde então), transmitem hoje os mesmos valores absorvidos da realidade das vidas das pessoas que os acompanhavam quando mais novos. Dizer que a mídia influencia os infantes é cabível, mas quem são os responsáveis por ela? Pessoas que também foram moldadas para caber às exigências da sociedade? Quem culpar?
As crianças, hoje vítimas de uma sociedade cínica e hipócrita criada por nós (que por sinal, não tivemos nossas etapas de amadurecimento devidamente respeitadas) serão espelhos da realidade já assustadora em que vivemos hoje (um pouco pior, é verdade). E essa realidade, fruto do impacto dos novos (?) padrões sobre a formação social da criança (pais ausentes, falta de amparo e supervisão, um processo louco de adultização que faz com que as crianças do nosso século não saibam o que é infância), virá acompanhada de todas as implicações inevitáveis. O que se espera é uma piora gradativa de todos os males que afrontam a sociedade contemporânea: seus crimes, toda a barbárie que os cercam, todo o desespero em que vivemos. A pressa, um coração infértil (o que pode haver de pior?) e a falta de uma perna, que irá nos fazer cambalear até cair.
Foto e texto por Felipe Lima.
-- Eu te amo.
-- Desde quando?
-- Desde agora. Desde sempre.
-- Por que?
-- Provavelmente alguma espécie de trauma.
-- Como assim, trauma?
-- Quando meu pai me abandonou eu devia ter uns quatro, cinco anos. A falta da figura paterna durante o período de socialização que cobre toda a infância fez com que eu me tornasse emocionalmente dependente de cada homem por quem me apaixonei. É assim com você. Uma forma de manifestação deste trauma na minha personalidade.
-- Hum...
-- Às vezes eu queria perder a memória.
-- Por que, Meu Deus!?
-- Por conta do meu desespero. Talvez eu fosse mais feliz sem algumas lembranças. Eu queria que tudo fosse possível. Que o amor fosse possível, que a felicidade fosse posível, que a compreensão fosse possível, que a simplicidade, a profundidade, tudo fosse possível. Que fosse possível amar você sem perder o controle, sem querer morrer.
-- Não fala isso, é até pecado.
-- Cada pedaço de mim é pecado.
-- Às vezes eu acho que você é uma Tsunami. Devastadora, impiedosa, inquietante. Não pode caber tantos sentimentos numa pessoa tão pequena! Não é possível. Meu fusca não suporta tanta areia.
-- Eu sei ser pouca areia.
-- Tá bom...
-- Você não melhorou da gripe. Eu vou buscar um remédio pra você. Quando eu voltar você me beija como se fosse a última vez?
Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu esqueço
Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista p'ro mar
Ou outra coisa p'rá lembrar
Às vezes eu quero demais
E eu nunca sei se eu mereço
Os quartos escuros pulsam
E pedem por nós
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista p'ro mar
Ou outra coisa p'rá lembrar
Se você quiser eu posso tentar mas
Eu não sei dançar
Tão devagar p'rá te acompanhar
Alvin L., por Marina Lima, Não sei dançar, de Marina Lima, 1991 e Brasil de A a Z, 2003 (Coletânea).

Foto: Felipe Lima
Sem tempo para escrever nada mais elaborado, indico Juno (Juno, Jason Reitman, 2007, Oscar de Roteiro original e vencedor do festival de Sundance). Nunca uma comédia romântica foi tão sensível e madura. Saí da sessão sabendo que alguma coisa mudou. Pra melhor.
LANDINI, Tatiana Savóia. Pedófilo, quem és? A pedofilia na mídia impressa. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v19s2/a09v19s2.pdf. Acesso em 21, fev/2008.
Cobrindo um período de cinco anos, a Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, Tatiana Savóia Landini analisou cerca de 380 reportagens publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo (o diário de maior tiragem do país), que traziam a público casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil e no mundo. Reportagens que tratavam de abuso sexual, pornografia infantil, estupro, incesto, etc. Usando desse recurso, Tatiana escreveu “Pedófilo, quem és? A pedofilia na mídia impressa” um artigo em que busca compreender como a Folha de S. Paulo (e em extensão, a mídia impressa brasileira) traça o perfil dos autores de tais práticas. Durante a pesquisa, Tatiana faz diversas constatações, entre elas, a visão quase unânime do jornal, de que pedofilia e pornografia infantil são sinônimos, numa generalização preguiçosa que deixa de comparar e diferenciar outros tipos de violência sexual. Tatiana cita ainda Binard e Clouard, para quem a pedofilia teria como definição 'o desejo sexual de um adulto em relação à crianças', surgindo dúvidas contudo, se seriam apenas desejos sexuais, já que existem relatos também de tortura e até morte. Segundo vários dos autores pesquisados por Tatiana, existe um binômio - violência e mídia - e cada autor procura defender sua visão, levando em consideração, o poder que a mídia tem em transformar acontecimentos em notícias e notícias em acontecimentos. Durante a análise da autora, evidencia-se ainda uma interação entre público e veículos de comunicação, e questiona-se se o que é transmitido nos jornais, rádio e televisão induz os receptores da mensagem à prática da violência, contribuindo para o aumento dos dados que a relatam. Para Tatiana, a mídia mostra o que acontece em ambientes privados, e essas informações passam a ser de conhecimento público através do que é divulgado.
As Conclusões de Landini
Ao fim do artigo, a autora constata que o perfil traçado pela imprensa evoca o fato de que pedófilos são indivíduos de elevado poder aquisitivo em sua maioria, com boa formação acadêmica e bons empregos. O contrário ocorre no caso dos estupradores (esses, em sua maioria, pobres e desempregados). Landini usa como exemplos no artigo, casos como o do pedreiro que estuprou uma menina de dez anos prometendo casar com ela quando a mesma completasse doze anos de idade. Para o juiz, o ato foi consensual e dessa forma, não houve pena. A justiça também não vê como estupro o pai que violentava a filha de quinze anos - o mesmo responderá apenas por corrupção de menor. Tatiana conclui e aponta de forma incisiva que a mídia impressa brasileira contribui para o modo como seus leitores enxergam os autores desses crimes. O trabalho junto ao jornal Folha de S. Paulo tenta de forma imparcial estudar a violência contra o menor e o impacto causado na população, relatando muitas vezes um perfil estereotipado do pedófilo, como se houvese uma postura linear em ações desta espécie. A mídia impressa nacional mostra a existência de uma pluralidade na divulgação deste tipo de violência em especial, colocando-a ora como produto da barbárie e da pobreza ora como desvio psicológico, acentuando ainda as diferenças sócio-econômicas que sempre marcaram a sociedade.
Palavras-chave: Pedofilia. Mídia. Diferenças sociais.
Quer saber mais? Vá até o link e leia o artigo completo de Tatiana.
Por Felipe Lima e Márcia Casali
PS: A propósito, Felipe Lima sou eu.
Um novo design rimando com todas as coisas novas que têm acontecido. Espero que percebam as (sutis) diferenças que virão com o tempo, fruto de todas as novidades que chegam e nos surpreendem.
Até breve.
Ela foi dormir pedindo a Deus que houvesse amanhã. Pedindo para que a finitude do mundo e das coisas todas não nos pegasse desprevinidos e letárgicos. Pedindo com medo ("o medo não é ruim, ruim é o medo de ter medo").
Acordou querendo ser melhor e não sentir-se culpada. Por nada. Querendo perder as papas na língua e as inconstâncias demasiadas (que nos afligem, sempre).
Ela foi dormir pedindo a Deus que houvesse amanhâ.
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"O amor não é tudo; até é, enquanto se está amando, mas, para viver uma paixão, é preciso renunciar à própria vida, uma opção perigosa que não costuma ser eterna."
"A mãe dele, Aninha, dirigia um internato numa praia perto de Vitória. Contam as más línguas da família que, à noite, ela pegava um cavalo e saía galopando pela praia, nua. Torço para que essa história seja verdadeira."
"Para manter um mínimo equilíbrio mental, preciso ficar muitas horas do dia absolutamente só; por isso gosto de viajar sozinha, por isso prezo tanto minha liberdade, por isso cheguei à conclusão de que não nasci para ser casada. Às vezes sinto uma certa solidão, mas não é assim tão ruim. Não sei de nada melhor do que chegar numa cidade onde não conheço ninguém, sentar num café, pedir um drinque, mais outro, ficar olhando as pessoas, imaginando suas vidas - fumando um cigarro, melhor ainda. Não sei o que os meus filhos acham disso, mas mãe não se escolhe; amigos e amores também não, mas estes entram e saem da nossa vida, e é assim mesmo."
"Cansamos de ouvir nosso pai dizer que não se pode confiar no ser humano, que o amor não é eterno, que só podemos contar com nós mesmos, que é necessário ser forte e que a vida não é uma brincadeira. Se chegávamos exaustas do colégio, ele dizia que é bom castigar o corpo, andar na praia até não aguentar mais, tomar banho frio.
(...) Meu pai não cansava de dizer também, que mais importante do que os bons costumes e qualquer conveniência social, é falar a verdade, sempre; que as glórias e honrarias deste mundo não têm nada a ver com a felicidade; que nada acontece sem esforço; que não adianta ensinar, só se aprende com a vida - e apanhando. E mais: que as palavras foram feitas para esconder os pensamentos e que um mergulho no mar cura tudo, das doenças às maiores aflições. Ele estava certo em muitas coisas, mas não em todas. Da mãe de meu pai, a quem não cheguei a conhecer, aprendi que, quando cai uma chuva forte, deve-se ir para a rua e lá ficar por uns dez minutos, até se encharcar, pois faz bem à saúde. Isso eu ainda faço, e acho que a humanidade se divide em dois tipos de pessoas: as que usam guarda-chuva e as que não usam.
""Datas? mas que importância têm as datas?", foi o que ouvi a minha vida inteira. Ficou difícil, quando tive minha própria família, montar uma árvore no Natal. Até tentei, mas foi um fiasco, como tudo o que se faz sem acreditar."
"Se alguém me pergunta hoje como era minha mãe, não sei responder. Acho que ela não conseguia se comunicar, nem comigo nem com ninguém. Uma vida não vivida, penso eu. Um dia ela me contou que foi do Rio para Cachoeiro de Itapemirim, visitar a família e num determinado momento o ônibus parou para que os passageiros fossem ao toalete, bebessem alguma coisa. Ela, que estava só, desceu, sentou-se numa mesa e tomou um café com leite; e me disse que essa foi a maior aventura da sua vida. Nunca me esqueci disso."
"Mais tarde fui descobrir que sou tímida, quem diria, e me sinto desconfortável no meio de muita gente. Não sei ter relações meramente sociais: fico amiga ou não fico nada, e o tititi mundano está acima das minhas capacidades. Adoro estar nos lugares, olho tudo, sou curiosa, gosto de ouvir o que as pessoas dizem, mas, quando elas são muitas, eu preferia ser uma mosca."
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"A vida é assim mesmo: umas coisas vão piorando, outras melhorando, o passado já foi, o futuro não existe, vamos viver o melhor do presente, e pronto."
"Vinícius foi um grande amigo; apesar de ser um intelectual de verdade, tinha tempo e paciência para ouvir problemas bobos, dar opinião sobre meus pequenos dramas amorosos. Era sempre a favor do amor: "Está apaixonada, vá em frente."
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"Minha casa sempre foi meu porto seguro, só nela me sinto tranquila, dona da minha vida, coisa que prezo acima de tudo."
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"Aprendi com Samuel: quanto piores estão as coisas, mais depressa é preciso voltar a trabalhar."
"Um dos primeiros que entrevistei foi Pedro Nava. Lembro bem de ele ter feito, durante toda a entrevista uma ode à juventude - sustentava que essa fase era tão importante na vida das pessoas, que antes dos trinta anos ninguém devia estudar nem trabalhar, mas apenas viver. Uma semana depois ele se matou."
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"Acho que ser mãe é um assunto nunca resolvido."
"Às vezes fico na dúvida: não sei se não tenho personalidade alguma ou se tenho muitas, tal a minha capacidade de me virar pelo avesso."
"A vida me deu tudo o que poderia dar, de bom e de ruim. Nada me foi poupado: ela foi completa nos dois sentidos. Penso como o escritor Elie Wiesel, que um dia disse: "Depois de tudo que já vivi, nada que me aconteça poderá me fazer muito feliz, nem muito infeliz.""
"Em alguns segundos esqueci do que lembrei a vida inteira: que é preciso saber quem é o outro, o que faz, onde mora, estado civil, classe social. Ele tinha razão: estávamos sós, por que não podíamos ficar juntos? Afinal, a vida pode ser simples.
(...) Não houve preâmbulos; não dissemos nossos nomes nem contamos nossas vidas. Aconteceu o que era para acontecer, e às sete da manhã, quando saí, ele dormia.
(...) Quando acordei, às duas da tarde, mal acreditei no que tinha acontecido. Voltei ao mesmo café, pedi um vinho e pensei: quando um homem deseja muito uma mulher, esse desejo pode despertar o desejo dela. E mais: quando isso acontece, não há nenhuma razão para que os dois resistam à pulsão da vida. Pensei também que poucos homens compreendem as mulheres; não sabem que muitas preferem ser desejadas a serem amadas. Na noite anterior eu me esqueci de quem era e nunca fui tão eu mesma.
(...) Não sei também de onde tirei coragem para tanto, mas desconfio: foi porque não pensei, não raciocinei; pensar muito e raciocinar muito podem impedir, às vezes, que a vida aconteça, e tive até medo de me sentir tão viva."
Da jornalista Danuza Leão, em Quase Tudo, livro de memórias que cobre 72 anos da vida da autora de "Na sala com Danuza", best seller de 1992. Quase Tudo me consumiu durante toda a epidemia (?) de febre amarela que rondou o país nos últimos dias.

"A idéia de algo que dure a vida inteira nunca me seduziu. Gosto da finitude das coisas, mas perder é não estar pronto para deixar. Nada dói mais. Por isso, todo recomeço é feito de dor pungente; daquelas que rasgam a alma. Rasgam até o ponto em que a dor dá espaço à surpresa de abrir os olhos e perceber que há um novo dia correndo feito criança (como um caderno aberto e em branco), passando e convidando à intensidade dos sentidos, que se despertados, mostram que viver é sublime (e inexplicável, inexplicável). Inclusive, em todas as suas intempéries."
De quantas páginas você precisa?
*Felipe baruc recomenda Babel, drama de Alejandro González Iñarritu com roteiro de Guillermo Arriaga, vencedor do globo de ouro e indicado ao Oscar, que conta de modo ímpar, três histórias diferentes e interligadas sobre perdas e recomeços.
Seguindo à risca (algumas das) minhas resoluções de ano novo, estive no último sábado num cinema da capital para assistir a P.S. Eu te amo (P.S. I love you, Estados Unidos, 2007), filme mais recente da duas vezes vencedora do Oscar, Hillary Swank e do adorável (não estranhem) Gerard Butler, de 300 (que com o personagem, revela uma empatia surpreendente).
A comédia romântica de Richard LaGravenese, produzida por Wendy Finerman, Broderick Johnson, Andrew A. Kosove, Molly Smith, os mesmos criadores de O diabo veste prada (The devil wears prada, EUA, 2006), conta com humor irreverente e sensível a história de Holly Kennedy, corretora de imóveis, que após a morte do marido, Gerry, vivido por Butler, começa a receber cartas escritas ainda em vida pelo próprio, com o intuito de ajudá-la na recuperação.
Cheio de boas piadas e atuações convincentes, P.S. Eu te amo, é uma pedida deliciosa não só para casais apaixonados, mas para quem gosta de bom entretenimento. Vá ver (e não partam da premissa de filme de mulherzinha).

Serviço: Pátio Brasil Shopping, Sala 03/*Sessões às 16h10m, 18h50m e 21h30m.